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quinta-feira, 20 de março de 2014

QUALIDADE DE SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO PREOCUPA VIGILÂNCIA SANITÁRIA DE ITUMBIARA

Produtos transportados em condições inadequadas e que seriam utilizados na fabricação de alimentos

A frequência com que a Vigilância Sanitária de Itumbiara tem recebido de denúncias da população, reclamando de produtos e serviços de alimentação, notadamente aqueles cuja fabricação, antes do consumo, envolvem a manipulação e a utilização de ingredientes sem os devidos cuidados, enseja algumas reflexões acerca dos fatores que são determinantes para a qualidade final do produto e seu consumo seguro pela população.
Sabe-se que são muitas as variáveis envolvidas nos processos de fabricação de alimentos, tais como, planta arquitetônica adequada do estabelecimento, com instalações que evitem cruzamento de fluxos entre ambientes contaminados e os de manipulação; disponibilidade de locais e dispositivos adequados que facilitem tanto a higienização de utensílios utilizados no preparo dos alimentos, quanto  das pessoas envolvidos em outras etapas de fabricação; utilização de rotinas e procedimentos que impeçam a utilização de produtos deteriorados e matérias primas com embalagens avariadas e/ou prazos de validade expirados; procedimentos de rotulagem de produtos fracionados, obedecendo-se a data de validade recomendada (“após aberto consumir até a data..."); acondicionamento dos produtos em recipientes adequados à sua conservação e, ainda, observação da temperatura de armazenamento recomendada. Essas são algumas das medidas mais evidentes que, se adotadas, poderiam, evitar grande parte das denúncias sobre serviços de alimentação que chegam ao órgão.
Entretanto, a realidade observada em muitas das fiscalizações preocupa. Verifica-se, frequentemente, que, em muitos estabelecimentos, nem o básico às boas práticas de fabricação e manipulação de alimentos é encontrado. Não existem telas nas janelas que impeçam insetos de adentrarem os ambientes de manipulação; não existem lixeiras dotadas de pedal para que o manipulador não precise pegar na tampa para abri-las e dispensar o lixo; não existem ralos escamoteáveis que sirvam de barreiras às baratas e roedores que trafegam pelas tubulações da rede de esgoto; não existem dispositivos de papel (não reciclado) toalha e sabonete líquido para que os manipuladores lavem as mãos com frequência; não existem recipientes adequados para guardarem alimentos, utilizando-se, comumente, absurda e erroneamente, de sacolinhas de supermercados para guardá-los; não existe controle de roedores e insetos (desratização e desinsetização); não existe limpeza de caixa d’água semestralmente; existe a presença de esponjas que, de tão sujas e usadas, contaminam louças, panelas e, até, o detergente líquido.
Some-se a tudo isso a aquisição, contrariando a legislação, de produtos sem inspeção sanitária, principalmente leite, queijo e carnes cujas origens, procedências e condições em que foram fabricados, ou obtidos, sequer são conhecidas e jamais são questionadas por aqueles que deles se utilizam nos seus processos de fabricação dos alimentos que serão comercializados dentro de seus estabelecimentos.
Ao final teremos um produto sem qualidade, contaminado e que, além de expor, principalmente crianças, idosos e pessoas debilitadas à toda sorte de acontecimentos prejudiciais à saúde, poderá culminar com a hospitalização e, até mesmo, num desfecho trágico, ao óbito, daqueles que o ingeriram.
A população tem visto o trabalho da Vigilância Sanitária de Itumbiara e seria ingênuo acreditar-se que a fiscalização possa ser onipresente e onisciente, estando em todos os lugares e sabendo de todas as irregularidades que cercam o comércio e os serviços de alimentação de nossa cidade.
Tem-se avançado, mas é preciso avançar muito mais, contando, para isso, com os olhos da população que a tudo vê e presencia, reportando-se ao órgão as irregularidades que forem observadas no seu cotidiano das relações de consumo nos estabelecimentos de alimentação de nossa cidade.

Dr. Hebert Andrade Ribeiro Filho
Diretor de Vigilância Sanitária de Itumbiara

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