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quarta-feira, 24 de abril de 2013

MAIS UMA "CLÍNICA" EM ITUMBIARA É INTERDITADA POR OPERAR SEM ALVARÁ DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA E SEM RESPONSÁVEL TÉCNICO

HEBERT ANDRADE (DIRETOR DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA) CONVERSA COM INTERNOS DA INSTITUIÇÃO
Uma instituição que estaria prestando serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas, em regime de residência, foi interditada no dia 23/04/2013 na BR-452, próximo ao local denominado “Boa Vereda”, já que vinha funcionando de maneira irregular ao não possuir Alvará de Vigilância Sanitária e nem responsável técnico durante todo o horário de funcionamento, legalmente habilitado junto ao órgão municipal, além de apresentar instalações (3 quartos) incompatíveis com o número de internos (28), cujo excedente repousava em dez camas beliche distribuídas ao longo de uma garagem improvisada como dormitório, que mais lembra as acomodações destinadas aos judeus que seriam enviados às câmaras de gás em Auschwitz.
Além dessas irregularidades, várias denúncias de maus tratos e utilização de medicação injetável ou oral, com a finalidade de sedação, foram reportadas por internos ouvidos pela fiscalização da Vigilância Sanitária de Itumbiara no momento da vistoria e interdição do estabelecimento.
Esta interdição se soma a outras duas realizadas em menos de 5  meses em Itumbiara, causando apreensão e receio quanto ao tipo de “tratamento” e de condutas que poderiam estar acontecendo no interior destas instituições, cujos relatos de internos sobre castigos físicos e psicológicos aplicados àqueles que não se submetem espontaneamente ao comandos dos ditos “monitores” nos remetem aos suplícios aplicados pela inquisição nas masmorras e calabouços medievais.
Parece-nos que estamos dando um cheque em branco para que pessoas inescrupulosas que, utilizando-se de patrulhas uniformizadas com camisetas pretas e insígnias intimidadoras, possam adentrar os lares, amedrontar e subjugar as pessoas pela força e aplicação de sedativos e confiná-las em lugares onde os olhos da sociedade não possam vê-las, sob o argumento de que estariam dando uma enorme contribuição na solução do problema das drogas e prestando um grande serviço à sociedade.
Urge repensarmos (Vigilância Sanitária, Ministério Público, Polícia Civil, Sociedade Civil Organizada) e fiscalizarmos em que condições estas instituições estão operando, quanto se paga pelo “tratamento” que oferecem e, principalmente, qual a formação na temática dos transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas e a respectiva capacitação dos responsáveis e demais envolvidos no funcionamento destes estabelecimentos.


Dr. Hebert Andrade Ribeiro Filho
Diretor de Vigilância Sanitária de Itumbiara

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