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quarta-feira, 17 de abril de 2013

ANVISA APROVA REDUÇÃO DO TEOR DE IODO NO SAL

A diretoria da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a resolução que reduz os teores de iodo do sal. A regra, que entra em vigor 90 dias após a publicação no "Diário Oficial da União", prevê a alteração da faixa atual - de 20 mg a 60 mg de iodo por quilo de sal - para um teor de 15 mg a 45 mg/kg.
        A agência acredita que o mercado conseguirá se adaptar facilmente, com base em uma análise segundo a qual 90% das marcas de sal já seguem o novo intervalo. Denise Resende, gerente geral de alimentos da ANVISA, explica que a decisão foi tomada em conjunto com o Ministério da Saúde, com entidades do setor do sal e com organizações internacionais.
        A proposta está baseada em estudos que identificaram níveis elevados de iodo na urina do brasileiro. O consumo excessivo do nutriente pode causar disfunções na glândula tireoide, que produz hormônios reguladores do metabolismo.
        A agência também usa dados do Ministério da Saúde que indicam que a inclusão do iodo no sal em patamares mais elevados, nas últimas décadas, teve o impacto desejado de reduzir a quantidade de pessoas com bócio (uma consequência da baixa ingestão de iodo). Nos últimos 15 anos, será a terceira alteração feita nas proporções de iodo que deve ser acrescido ao sal.
        Há especialistas que discordam da redução dos teores atuais e acreditam que a mudança terá impacto grande no país. "É uma decisão errônea que coloca em risco a saúde das gestantes brasileiras e de seus bebês", afirma a endocrinologista Laura Ward. Segundo ela, metade das gestantes já tem déficit de iodo, o que pode aumentar o risco de parto prematuro, abortos, anomalias congênitas e debilidade intelectual associada a alterações neurológicas.
        "As pessoas estão consumindo muito sal, o que não só eleva a quantidade de iodo, mas também causa hipertensão. O mais eficaz seria educar a população para que ela reduza o consumo de sal", diz Maria Izabel Chiamolera, membro da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
        A ANVISA também foi criticada por alterar os valores sem esperar pela conclusão de uma pesquisa que vai avaliar a quantidade de iodo na urina de crianças no país para verificar em que pé está o consumo dessa substância. Denise Resende, da agência, afirmou que a ideia original era esperar o fim do estudo, mas que já há a indicação de que a pesquisa não vai mudar o atual entendimento da questão. Por isso, optou-se por fazer logo a alteração.

Segundo ela, durante a consulta pública sobre o tema, 21 contribuições foram apresentadas. Só duas (de pessoas físicas) eram desfavoráveis à redução aprovada. Para Chiamolera, a decisão foi precipitada. "Não sei se há estudos suficientes para embasar essa decisão. A maior parte deles é feita na população urbana. Não sabemos se quem vive em áreas rurais tem excesso de iodo e se o país todo vai se beneficiar da medida."


Fonte: Nublat, Johanna. Anvisa aprova redução do teor de iodo no sal. Folha de São Paulo [On Line].Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/04/1263784-anvisa-aprova-reducao-do-teor-de-iodo-no-sal.shtml. Acesso em 16/04/2013.


Dr. Hebert Andrade Ribeiro Filho
Diretor de Vigilância Sanitária de Itumbiara

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