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domingo, 6 de maio de 2012

GUIA PARA VIGILÂNCIA, PREVENÇÃO, CONTROLE E MANEJO CLÍNICO DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA TRANSMITIDA POR ALIMENTOS

A transmissão do Trypanosoma cruzi por via oral tem caráter habitual no ciclo endêmico primitivo deste parasito, através da ingestão - por mamíferos suscetíveis - de vetores e reservatórios infectados. No caso do homem, esta transmissão ocorre através de alimentos contaminados com o parasito, principalmente a partir de triatomíneos ou de suas dejeções (WHO 2002). Também ocorre através da ingestão de carne crua ou mal cozida de caça, ou de alimentos contaminados por urina ou secreção anal de marsupiais infectados, ou mesmo por meio de hábitos primitivos de ingestão de triatomíneos. Muito cedo, Nathan-Larrier (1921) comprovou experimentalmente possibilidade de transmissão oral em pequenos animais utilizando sangue com tripomastigotas, seguindo-se experimentos e comprovação por Brumpt (1931), Kofoid e Donat (1933), Cardoso (1933), Dias (1933 e 1940) e Marsden (1967).
A emergência da Doença de Chagas (DC) por esta modalidade de transmissão, em especial na região Amazônica, pode estar fundamentada no consumo de alimentos contaminados pela não adoção de boas práticas de higiene na manipulação dos alimentos e pela invasão humana de habitats silvestres que aumenta os riscos associados à proximidade de vetores e reservatórios silvestres. Hoje, a maior capacidade e disponibilidade de diagnóstico também permite caracterizar casos e surtos de maneira mais ágil e adequada.
As peculiaridades da epidemiologia da DC nas áreas de ocorrência de casos por esta modalidade de transmissão trazem novos desafios aos países, no que se refere à estruturação de ações voltadas para atenção, vigilância, prevenção e controle, com vistas a respostas oportunas para toda a sociedade. Considerando-se que há no momento uma série de lacunas no conhecimento técnico específico sobre a transmissão oral da doença de Chagas (DC), o presente Guia de VIGILÂNCIA, PREVENÇÃO, CONTROLE E MANEJO CLÍNICO, DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA TRANSMITIDA POR ALIMENTOS destina-se em particular àqueles gestores e trabalhadores da saúde que exercem suas atividades em regiões onde o acesso à informação é difícil, reduzindo a possibilidade de trocar experiência com outros parceiros, particularmente com a população, e que vem enfrentando uma demanda crescente casos suspeitos deste agravo, em particular na região amazônica.
Os trabalhadores da saúde em atenção primária, vigilância epidemiológica e sanitária, devem enfrentar esta nova realidade de forma eficiente e integrada com outros setores, como o de educação, agrícolas, meio ambiente, e outros serviços de saúde e até as instâncias superiores, para que estas possam organizar e ajustar as respostas necessárias. Clique aqui para fazer o download da publicação!
Fonte:Organização Pan-Americana de Saúde
Dr. Hebert Andrade Ribeiro Filho
Diretor de Vigilância Sanitária de Itumbiara

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