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terça-feira, 20 de setembro de 2011

CRIAÇÃO DE PORCOS E GALINHAS FACILITA TRANSMISSÃO DE LEISHMANIOSE

A criação de porcos e galinhas aumenta o risco de transmissão de Leishmaniose, doença causada pelo protozoário leishmania e transmitida por um inseto conhecido como Mosquito-palha. Esta foi a conclusão de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizada durante três anos, com um grupo de crianças e cães em uma região endêmica, no interior da Bahia.
O estudo revela que o risco de contrair leishmaniose visceral é de duas a quatro vezes maiores entre crianças que vivem em casas com criações desses animais. De acordo com a pesquisa, apesar de o cão ser reconhecido como único animal doméstico reservatório do protozoário, a criação de porcos e galinhas favorece o aumento do número do Mosquito-Palha, o Flebótomo, que é o vetor do protozoário.
Maior Risco
Segundo o estudo, com a proliferação do Mosquito-Palha, cresce a possibilidade de um desses insetos virem a picar um cão infectado e transmitir a doença ao picar outros animais ou o homem. A presença de porcos e galinhas possibilita um aumento do número dos flebótomos porque o sangue deles funciona como fonte de alimento para esses insetos e, além disso, a matéria orgânica de chiqueiros e galinheiros é um terreno propício para que flebótomos depositem seus ovos, explica Edson Duarte, coordenador da pesquisa. A presença das aves é um atrativo também para as raposas, um reservatório silvestre da leishmania.
Ele disse que o estudo servirá para a orientação de programas de prevenção à doença. "Ao identificar as casas com criadores de animais como locais de maior risco, podemos passar a entender e concentrar a borrifação e orientar os moradores a manter uma certa distância destes ambientes . A telagem milimétrica dos criadouros pode ser uma boa alternativa, especialmente se não houver possibilidade de afastá-los da residência.
Em alguns municípios através da legislação específica - Código de Posturas e Código Sanitário - é proibida a criação de animais de produção em áreas urbanas devido aos diversos riscos sanitários decorrentes da atividade.
Alerta
A coordenadora Estadual do Programa das Leishmanioses da Gerência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Veruska Castilho de Oliveira Neve, também presidente da Comissão de Saúde Pública do CRMV-GO, explica que em virtude das denúncias de tratamento canino, inclusive com medicamento importado adquirido pelo Ministério da Saúde exclusivamente para tratamento humano, e tendo em vista as dificuldades enfrentadas pelas Secretarias de Saúde, foi solicitado parecer à Advocacia Geral da União quanto aos procedimentos a serem adotados, em caso de descumprimento da Portaria Interministerial n° 1.426 de 11 de julho de 2008, que proíbe o tratamento da leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não, registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Prevenção
Diversas instituições também serão oficialmente informadas como Procuradoria da União do Estado, Ministério Público, CRMV- GO, Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais - seção Goiás (Anclivepa-GO), Vigilância Sanitária, universidades, dentre outros.
Até o momento, a melhor providência é a prevenção através do uso da coleira repelente de deltametrina a 4%, uma vez que a vacina anti-leishmaniose ainda está em fase de desenvolvimento e a única alternativa no que se refere ao reservatório urbano para impedir a expansão da doença, infelizmente é a eutanásia dos infectados, seguindo a Resolução 314 do CFMV, como lembrou Veruska. Todos os direitos animais (bem-estar, diagnóstico e eutanásia humanitária) e de seu respectivo proprietário devem ser amplamente respeitados e garantidos. Por ser leishmaniose visceral uma doença complexa, outras ações de controle devem ocorrer simultaneamente em relação ao vetor e à educação e informação à saúde. A referida Coordenação das Leishmanioses desenvolve em parceria com outras instâncias (Secretarias Municipais de Saúde, Centros de Zoonoses, Escola de Veterinária/UFG, dentre outros), assessoria e capacitações permanentes e se coloca à disposição para quaisquer outros esclarecimentos, sugestões ou críticas através do número (62) 3201-4514/4545.


Dr. Hebert Andrade Ribeiro Filho
Diretor de Vigilância Sanitária de Itumbiara



(Fonte : Quirão Ano XXIV nº116 – abril 2010)

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